14/09/2009

Efeitos da Maconha

A marijuana ou maconha é uma droga produzida a partir da planta da espécie Cannabis sativa. A substância psicoativa presente na maconha e no haxixe é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). O THC pode ser consumido através do fumo, da inalação, por via oral ou até intravenoso.

Além da maconha existem outras 2 formas comuns de se processar a cannabis: o Haxixe que também é fumado e apresenta maiores concentrações de THC, e o Hashoil ou óleo de cannabis, que é a forma líquida e mais potente da droga.

Existe muita emoção e pouca informação no debate sobre a legalização da maconha. Se por um lado existe o falso mito da sua relativa inocuidade, também faz pouco sentido aceitar o uso indiscriminado de álcool e cigarro e demonizar apenas a maconha.

As informações que darei serão principalmente sobre os efeitos deletérios da maconha sobre o organismo. Desde já deixo registrado que sou contra o uso da maconha, mas não contra a descriminalização da mesma. Assim como, também não indico o uso de álcool a nenhum paciente mas não sou contra a sua comercialização, e nem sou hipócrita de dizer que não bebo um choppinho de vez em quando.

Tenho minhas dúvidas sobre a eficácia da proibição da maconha sobre o seu consumo. Qualquer pessoa que tenha contato com jovens sabe que o seu consumo é altíssimo em qualquer classe social. Talvez a legalização transformaria um problema policial em um problema médico, com os recursos dos impostos cobrados sobre sua venda voltados para a saúde.

Acho que para ser a favor ou contra qualquer coisa, é necessário primeiro ter informações sobre o assunto.

A partir de agora, todos as minhas opiniões serão deixadas de lado e as afirmações abaixo serão todas baseadas em resultados de trabalhos científicos.

A chamada "onda" que o consumo de maconha dá, recebe em medicina, o nome de intoxicação aguda de THC. Costuma iniciar minutos após o uso e pode durar por até 4 horas

Os sintomas físicos da intoxicação incluem:
- Taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos)
- Aumento de pressão arterial
- Aumento da frequência respiratória
- hiperemia conjuntival (olhos vermelhos)
- Boca seca
- Aumento do apetite
- Letargia e redução dos reflexos

Os sinais psicológicos costumam ser:
- Euforia
- Distorções do tempo
- Ansiedade
- Depressão
- Perda da memória recente
- Paranóia
- Pensamentos míticos

O mais importante é saber que alterações de concentração, dos reflexos e da performance motora podem durar até 24h, muito tempo depois do fim da sensação de estar "alto". Os efeitos da maconha consumida na noite anterior podem estar presentes nos usuários que vão dirigir ou trabalhar no dia seguinte.

Ao contrário do que algumas correntes divulgam, a maconha causa dependência, sim. Além disso, usuários pesados apresentam síndrome de abstinência quando interrompem o seu uso crônico. Os sintomas podem durar semanas e incluem insônia, depressão, náuseas, agressividade, anorexia e tremores.

Outro dado pouco divulgado é que a maconha possui 4x mais alcatrão e 50% mais substâncias carcinogênicas que o cigarro. Além de ser fumado sem filtro, o que causa uma maior inalação de partículas irritatórias para as vias aéreas e pulmões. O consumo de 3 cigarros de maconha parece equivaler ao de 20 cigarros comuns.

A grande diferença é que a maioria das pessoas usa a maconha em menores quantidades e normalmente abandonam o hábito com a idade. Como o consumo concomitante de cigarro é extremamente comum, é muito difícil de se estabelecer a magnitude dos riscos do uso só da maconha.

Pacientes com doenças cardíacas podem ter seu quadro agravado pela maconha e o risco de infarto é 5x maior nos primeiros 60 minutos após o seu consumo.

Já se sabe que o consumo de maconha aumenta os riscos de câncer do cigarro, e que usuários apenas de marijuana apresentam alterações moleculares nas vias respiratórias semelhantes às lesões pré-cancerígenas que os fumantes comuns apresentam.

Mas apesar de todas os riscos teóricos, devido a todas as dificuldade descritas acima, ainda não há um grande trabalho científico que mostre inequivocamente a relação entre câncer e consumo de maconha. É muito difícil conseguir um número grande de fumadores apenas de maconha, que mantenham o hábito durante muito tempo e que se disponham a participar de estudos. Lembrando que se trata de droga ilícita, o que dificulta também a realização dos trabalhos.

Se o câncer ainda é um problema a ser comprovado, outras alterações já foram demonstradas

- Redução dos níveis de testosterona
- Diminuição da motilidade dos espermatozóides e infertilidade
- Redução da libido
- Impotência
- Alterações do ciclo menstrual
- DPOC (enfisema pulmonar/bronquite crônica)
- Pneumotórax
- Ginecomastia (crescimento de mamas em homens)
- Alterações de memória

O uso crônico de maconha também aumenta os riscos de se desenvolver doenças psiquiátricas como esquizofrenia e depressão.

Existe hoje uma síndrome chamada em inglês de "chronic cannabis syndrome". Descreve usuários pesados de longa data, que apresentam dificuldades cognitivas e menores conquistas profissionais e acadêmicas. Normalmente são pessoas que acabam em empregos que exigem menor capacidade de raciocínio e concentração.

Também há clara relação entre o uso de maconha e uma maior chance de consumo de outras drogas. A maconha é a chamada porta de entrada para drogas mais pesadas.

Apesar de todos esses problemas, a maconha também pode ser usada com agente medicinal. O THC pode ser encontrado em comprimidos, inaladores e adesivos para pele. Seu uso inclui:

- Tratamento de vómitos incoercíveis
- Tratamento de soluços de difícil controle
- Tratamento da caquexia em SIDA ( AIDS) e cânceres
- Tratamento do Glaucoma
- Redução dos sintomas da esclerose múltipla.

Quanto tempo depois de consumida, a maconha ainda pode ser detectada por exames?
Esta é uma pergunta que tem me sido feita com frequência, principalmente por aqueles que vão realizar exames admissionais em empresas.
Primeiro é importante esclarecer que nos exames comuns de sangue ou urina não se faz a pesquisa do THC. É preciso uma análise específica que só é realizada se houver uma solicitação médica para tal. No hemograma ou no EAS, por exemplo, não se pesquisa THC (leia: ENTENDA SEU EXAME DE URINA e CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE).
Normalmente o doseamento do THC é feito através de uma análise de urina, mas também pode ser feito por análise do sangue. A metabolização do THC é muito individual, e portanto, não existe um número de dias de intervalo que seja seguro para todos os usuários. A pesquisa é feita pelo principal metabólito do THC, o delta-9-tetrahidrocanabinol (D9THC).
Em média 90% do D9THC é eliminado do organismo nos primeiros 5 dias após o uso, porém seus níveis podem ser detectados por mais de 1 mês em caso de usuários assíduos. Usuários esporádicos podem ficar livres do THC em apenas 3 dias.

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